Todo mundo sabe: o que obriga as empresas a inovar é a luta pela sobrevivência. Quem não inova não aumenta a produtividade e fica fora do jogo (União Soviética, lembra?). Inovação sempre está associada a ganho de produtividade. Mesmo empresas como a Apple, craque em produtos geniais, têm que lançá-los mais rápido que seus concorrentes, se não, perde mercado. Lançar coisas bacanas mais rápido (Apple), e/ou fazer as mesmas coisas usando menos inputs (Wal Mart) - isto é produtividade. Olha que curioso: um grupo de pesquisadores está sugerindo que a mesma idéia - vantagem em produtividade - explica por que o homo sapiens tornou-se a espécie dominante no planeta. Eis a história: até uns 40 mil anos, havia só um tipo de humano na Terra - o homem de neanderthal - atarracado, cabeludo, baixo, musculoso; o estereótipo do homem das cavernas. Então chegou o homo sapiens (mais bonitinho) vindo da África num longo e tortuoso percurso via Ásia central. O neanderthal vivia na Europa há 200 mil anos, mas dez mil anos depois da chegada do sapiens sumiu do mapa. Por quê? Não vá pelas aparências: ambos - neanderthal e sapiens - eram 100% humanos e igualmente inteligentes, não havia "pessoas especiais" em nenhum dos grupos, entende? Ambos usavam linguagem, caçavam os mesmos animais e colhiam as mesmas plantas nos mesmos nichos. Portanto, competiam pelos mesmos recursos. Teria o sapiens vencido por ter melhores armas de caça? Sua capacidade de pensamento simbólico - evidente em pinturas e esculturas de animais - teria lhes dado vantagem? Segundo Jason Shogren da Universidade de Wyoming, não. O sapiens venceu porque foi mais produtivo no que importava mais para a sobrevivência. Shogren criou um modelo computadorizado para simular crescimento populacional. Variáveis decisivas: fertilidade, taxas de mortalidade, eficiência na caça, número de caçadores talentosos, níveis de talento na produção de armas. Duas variáveis - especialização e comércio - observadas nos sapiens, mas não nos neanderthais, estavam no modelo. Eureka! Só quando "especialização e comércio" eram mais favoráveis ao sapiens, o modelo mostrava que sua população crescia mais rápido. Como assim? Assumiu-se que nos sapiens só os caçadores mais eficientes se dedicavam à caça, os menos habilidosos iam fazer coisas como roupas e flechas. Depois, caçadores trocavam carne pelas roupas e flechas que os artesãos faziam (especialização e comércio, certo?). Com "cada um no seu quadrado" assim, todo mundo obtém mais carne. Com mais proteína, a taxa de fertilidade cresce e a população idem. Sobrava cada vez menos carne para os neanderthais. O modelo prevê direitinho o que se observa: em 10 mil anos, adeus neanderthais. Divisão do trabalho e livre comércio são decisivos para a prosperidade, como Adam Smith e David Ricardo redescobriram trinta mil anos depois. O Homo sapiens reina absoluto na Terra (pelo menos por enquanto) pela mesma razão pela qual a Apple domina seu nicho e o Wal Mart o dele: mais produtividade no que é decisivo para a sobrevivência. * Artigo publicado na Revista Época Negócios - Nº 24 - Fevereiro 2009 - Coluna INOVAÇÃO. Visite meu blog e coloque lá seus comentários sobre esta matéria. |
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